ANJO DA PAZ
Como discutem e gritam! Como duvidam e se desesperam! Que guerra sem fim. Que tua vida se interponha entre eles, inalterável e pura como língua de luz, meu filho, e que sua beleza imponha a todos o silêncio. Como são cruéis, por causa da inveja e da cobiça. Ocultos punhais, são suas palavras. Coloca-te entre seus corações cheios de ira, filho meu, e que o teu olhar caia sobre eles como a indulgente paz do anoitecer sobre os combates do dia. Deixa que todos fitem o teu rosto, filho meu, e assim compreendam o sentido das coisas. Que te amem e, assim, se amem uns aos outros. Tu, então filho meu, vem ocupar o teu lugar no seio da eternidade. Abre e eleva o coração, quando o sol despontar como a flor desabrocha. E, ao anoitecer, inclina a fronte e termina em silêncio a oração da tarde.
R. Tagore
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
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