quarta-feira, 20 de outubro de 2010

E alguém pediu:
fala-nos do Amor!
- Quando o Amor vos fizer sinal, segui-o;
ainda que os seus caminhos sejam duros e difíceis.
E quando as suas asas vos envolverem,
Entregai-vos, mesmo que a espada escondida
Na sua plumagem vos possa ferir.
E quando vos falar, acreditai nele;
Apesar de a sua voz poder quebraros vossos sonhos como o vento norteao sacudir os jardins.
Porque assim como o vosso amorVos engrandece,
também deve crucificar-vos.
E assim como se eleva à vossa alturae acaricia os ramos mais frágeisque tremem ao sol,
também penetraráaté às raízes sacudindo o seu apego à terra.(…).
Tudo isto vos fará o amor, para conhecerdesa fundo os segredos do vosso coração,e através desse conhecimento vos tornardeso coração da Vida.
Mas se no vosso medo buscais apenas a paz doamor, o prazer do amor,
então mais vale cobrir aa nudez e sair do campo do amor a caminho domundo sem estações onde podereis rir,
mas nuncatodos os vossos risos, e chorar, mas nunca todas as vossas lágrimas.
O Amor só dá de si e só recebe de si.
O Amor não possui, nem sequer é possuído.
Porque o Amor basta ao Amor.
E não pensar que conseguis guiar o curso doAmor;
porque o Amor, se vos escolher, marcará ele o vosso curso.
O Amor não tem outro desejo senão o de consumar-se.
Mas se amarem e tiverem desejos, deverão serestes: fundir-se e ser ribeiro corrente a cantara sua melodia à noite.
Conhecer a dor da excessiva ternura.Ser ferido pela própria inteligência do Amor
E sangrar de bom grado e alegremente.
Acordar de manhã com o coração cheio e agradecer outro dia de Amor.
Descansar ao meio dia e meditar no êxtase do Amor.
Voltar a casa ao crepúsculo e adormecer tendo no coração uma prece pelo bem amado, e na boca um canto de louvor.
Khalil Gibran

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